Conheça a relação entre doenças bucais e sistêmicas

Não poderia deixar de comentar a minha preocupação em ver que as pessoas  devido ao isolamento social em função da pandemia , estão dificultando a manutenção dos cuidados de sua saúde bucal. Hoje só falamos de covid 19 e esquecemos que existem  várias doenças que podem ser afetadas por descuido da saúde bucal.

Há muito tempo, têm-se indícios da relação entre doenças bucais e sistêmicas, sendo os primeiros relatos dessa associação datados de 2100 a.C. Desde então, inúmeras pesquisas foram desenvolvidas apresentando resultados que evidenciam cada vez mais essa possível interface.

Os efeitos das doenças bucais para o organismo não podem ser considerados limitados e triviais, pois interferem na qualidade de vida, geram dor, desconforto, reduzem a função mastigatória e a qualidade de fonação. Limitações sociais e de convívio pessoal também ocorrem, diminuindo a produtividade individual.

Estudos recentes reafirmam que a condição bucal parece estar relacionada ao estado de saúde geral do paciente e investigaram a associação entre a doença periodontal e uma série de morbidades, tais como aterosclerose, infarto agudo , em mulheres grávidas a prematuridade e baixo peso ao nascer, problemas respiratórios , gastrite e endocardite bacteriana , diabetes, ansiedade, HPV, osteoporose. Podemos inserir a relação entre a pneumonia nosocomial (PNC) e a microbiota bucal.

Essas e outras doenças podem ter relação direta com a saúde da sua boca. Ela é a porta de entrada para diversos microrganismos, que podem provocar muitas doenças e atingir outros órgãos, podendo haver um agravamento em pessoas com comorbidades se a higiene bucal não estiver em ordem. 

Após 24 horas sem higienização da cavidade bucal é possível detectar clinicamente uma camada de placa bacteriana ou biofilme. Portanto, as manobras de higiene estão intimamente ligadas ao número e às espécies de microrganismos encontrados na boca.

A gengivite crônica bem como dentes cariados com exposição pulpar pode contribuir para o desenvolvimento de problemas cardíacos como endocardite bacteriana. A gengivite é uma infecção bacteriana que pode ter efeitos à distância da sua boca. Há uma teoria que diz que a gengivite permite às bactérias entrarem na corrente sanguínea e aderirem aos depósitos de gordura existentes nos vasos do coração. Isto pode causar coágulos e provocar um problema cardíaco.

Estudos mostram que controle de biofilme, placa bacteriana e gengivite auxiliam no equilíbrio da diabetes.  A inflamação da gengiva e do periodonto podem alterar o diabetes.

A ansiedade tão comum  nesse período de isolamento , gerada  pelo medo de se contaminar, pode levar a distúrbios bucais com aumento do ranger e apertamento dos dentes que acarretam problemas na ATM e fraturas dentais já comentadas no artigo anterior.

A osteoporose- diminuição da massa óssea corporal pode ter a fase inicial apresentada nos dentes, causando complicações na mandíbula, nas estruturas de suporte dos dentes, amolecendo e retração gengival.

A pneumonia nosocomial (PNC) ou hospitalar afeta o parênquima pulmonar. O risco de desenvolver a PNC aumenta com o uso da ventilação mecânica e a doença prolonga, em média, por cinco a nove dias o tempo de internação. Na etiopatogenia da PNC, tem-se que a contaminação das vias aéreas por patógenos bucais é, provavelmente, devida à aspiração e/ou inalação de saliva contaminada por bactérias bucais e enzimas bacterianas.

Os dentistas sempre atuaram com a preocupação de evitar contaminação, sendo assim ressalto a importância em orientar as pessoas que conversem com seus dentistas e busquem saber como estão atuando para terem tranquilidade e segurança no seu atendimento, mantendo assim de forma preventiva sua saúde bucal evitando doenças periodontais, dentárias e as lesões que podem levar a doenças sistêmicas.  A prevenção é a melhor maneira de se cuidar!.

Helder Humberto

CROSP 35338